Camilla Campos e o canto profundo
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| (Fotos: André Teixeira) |
Confira a entrevista:
JS- Quando entrou na música e quais foram as influências?
Em meados de 2008. São muitas as influências, o samba e suas vertentes. Ritmos afro-brasileiros, como o jongo, maculelê, maracatu e umbigada... O folclore sergipano, principalmente o samba de pareia, o lambe-sujo e a dança de São Gonçalo, os cânticos religiosos, principalmente da Umbanda me fascinam! E me remetem a uma ancestralidade que sensibiliza a minha canção! Sem contar as influências do rock alternativo e toda a psicodelia da música que me atrai bastante.
JS- Atualmente você está no “Samba de Moça Só”, mas no festival você se apresentou como cantora solo. Como concilia as duas carreiras?
O Samba de Moça Só teve inicio realmente em 2010, quando a banda se formou. Começamos a nos apresentar em 2011, e foi tudo muito rápido. Recebemos a benção da nossa madrinha Leci Brandão no mesmo ano, e nos vimos diante de uma grande responsabilidade. Então a única saída pra gente era correr atrás! Não tínhamos formação musical, ainda não tenho (risos). Então como já tínhamos jogado a rede, tínhamos que trabalhar pra conseguir bons frutos. Então, ainda não posso falar muito em conciliar as duas carreiras. Essa premiação para mim foi um presente, aliás, mais que isso, uma resposta.
JS- E essa resposta te induz a que?
Componho muitas coisas que não consigo colocar no samba, e então vou guardando. “Rosário de quem?” é uma delas! “Hoje sei que é outro caminho a ser trilhado. E sei também o quanto o Samba de Moça Só me eleva espiritualmente, tocar junto de pessoas que a gente considera um irmão, não existe preço que se pague! E pra mim, isso é o Samba de Moça Só: minha família!
JS- Com o “Samba de Moça Só” você já gravou um EP, mas quanto a sua outra carreira, há pretensões de gravar?
Existe pretensão de ser gravado sim! Esse projeto é muito íntimo, preciso beber da fonte, tenho essa necessidade do resgate das nossas raízes. E é isso que pretendo fazer: pisar em cada chão e sentir a energia, e a partir disso tentar passar a sensação de toda essa vivência. Algumas composições estão prontas, principalmente as que se referem ao meu contato com alguns mestres do nosso folclore. Mas preciso ir além, aí sim, poderei me embasar e falar com exatidão.
JS- A música “Rosário de quem” apresentada no festival traz elementos da Umbanda (religião de matriz africana). Como funciona a relação música e religião?
Sempre tive um respeito e admiração pela origem africana. E no que se trata de religião, a que mais me identifiquei foi esta. Mas não gosto muito de firmar nada no sentido de religiosidade! Acho que se houvesse o respeito, no sentido de amor ao próximo, não haveria derramamento de sangue! Isso é muito forte em mim, respeito!Verdade! A letra fala muito disso, é um canto de louvor àqueles que passaram por aqui diante de todo esse sofrimento! E o título é justamente pra esclarecer toda essa imposição religiosa, política e econômica da qual vivenciamos até hoje e nem sabemos o sofrimento que houve anteriormente, para chegarmos ao “O belo falso, do olhar raso do admirar!” O meu estilo tem muita ligação com o samba, aliás, o samba veio dos terreiros! Então sei o que significa tudo isso.
No Samba de Moça só, componho sobre desilusões amorosas como a música “Carta de Alforria”, mas nesse projeto solo a ideia é focar mais na questão introspectiva.
JS- Quais os próximos projetos?
Com o Samba de Moça Só, pretendemos gravar nosso CD em 2014. E dar uma saída de Sergipe para divulgar nosso trabalho. Estamos com algumas parcerias em Salvador e com a ideia de trazer os artistas que fazem um samba bacana lá para mostrarem o seu trabalho aqui! Inclusive no dia do Festival, não podemos ficar por estar acontecendo o primeiro evento deste projeto. “Samba Padibá di Samba”.E como já falei, pretendo levar adiante e paralelamente esse projeto solo, muito em breve.
Confira a apresentação de Camilla Campos no 5° Festival Aperipê de Música.


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