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Ananda Barreto estreia carreira solo “A Fuego Lento”

(Foto: Divulgação)
Ananda Barreto lança carreira solo no show A Fuego Lento. A infância rodeada de astros da música sergipana como o tio Ismar Barreto, um dos maiores cantores e compositores do estado, o folclore local, as vivências na Espanha e a participação no famoso grupo sergipano Mamulengo de Cheiroso, constituíram uma rica escola musical que vai se revelar no dia 23 de maio no espaço Casa do Chico ao som da musicalidade espanhola e do Cabo Verde, salsa, coco e música brasileira.

Acompanhada da tia Mary Barreto na direção musical, cavaquinho, flauta e vocais, Pedrinho Mendonça na percussão, João Mário no baixo e o primo Dami Narayana no violão, a promissora cantora cedeu entrevista ao Jornal de Sergipe e contou aspectos interessantes da constituição do trabalho que tem tudo para ser um dos destaques deste ano.

JS - Quando pensou em entrar na música, quais foram as influências?
Não teve um memonto exato. A música sempre esteve presente em minha vida de forma indireta. Me lembro que nas reuniões em família, sempre tinha alguém com um violãozinho e acabava todo mundo cantarolando. Acredito que a ligação do meu tio Ismar com a música me fez estar perto desse universo. O meu outro tio Augusto, que apesar de ser do teatro popular, também se faz presente, aliás, uma característica típica do mamulengo é a presença da música. Comecei ouvindo muito da música popular mais primitiva daqui do nosso estado, reisados, cocos, baião, e MPB de um modo geral, mas o que me tocou de verdade foi a minha experiência com a cultura espanhola. Eles tem um toque particular de cantar que toca profundamente a alma, que era mais ou menos o que Elis Regina fazia, a maneira intensa de interpretar, seja alegre ou triste, mas com uma profundidade que encanta os ouvidos e o espírito de quem ouve.

JS - Como começou sua carreira?
Acho que agora é um momento em que me sinto preparada para assumir essa responsabilidade, mesmo sem saber onde isso vai dar. Tem uma pessoa muito especial, e que eu admiro muito, não só como artista completa que ela é, mas também como pessoa, que é a Patrícia Polayne. Ela foi me trazendo aos poucos pros palcos, em algum momento do seu show ela cedia e ao mesmo tempo apresentava, eu para mim mesma e para o público. Sempre tive muito respeito a categoria, acho muito delicado isso de uma hora pra outra a pessoa se afirmar como cantora, por isso, essa ideia foi amadurecendo aos poucos dentro mim, não que já me sinta madura, mas me sinto pronta para entender a responsabilidade que cabe a quem canta.

JS - O Mamulengo de Cheiroso é um projeto fantástico. O que você adquiriu participando do grupo?
O mamulengo me ensina muito. Me lembro que quando pequena, era doida para fazer parte do grupo, acompanhava sempre os espetáculos e inclusive decorava todas as falas dos personagens. Ali é uma grande escola da arte do improviso, de até mesmo se expor ao ridículo. Por que o mamulengo tem muito disso, do bufão, das críticas ácidas, um humor que brinca da própria tragédia. E o melhor de tudo, é nada disso está em livros, é algo que vai se passando, observando e só o tempo faz com que você entenda como funciona essa magia.

JS - A partir de que momento decidiu estrear como cantora solo?
Houveram várias tentativas de formar um grupo, e sempre era entre a família. Eu, minha mãe e minhas tias. No começo foi com essa pegada popular, que tem um toque mais descontraído digamos assim. A intenção era brincar, se divertir. Eu aos poucos fui me interessando em cantar e aprender novos estilos, algo que me tocasse mais profundo e tivesse relação com a minha história particular. Sempre fiquei em dúvida se realmente devia estar fazendo isso, por que a gente sempre acha que vai chegar um momento x e ai pronto! Mas nada chega de graça se não colocar a cara pra bater. Ai eu meio que dei um empurrão nas minhas costas e disse: vai mulher, se joga! A vida é muito rápida pra se perder tempo pensando demais! Se te dar prazer em cantar, “adelante”! E acho que casou com um momento de muita transformação em que estou vivendo agora. Criei coragem e com o apoio de amigos e familiares me joguei!! Agora é fazer e ver no que vai dar!

JS - Além do teatro, uma visita a Espanha influenciou na sua carreira. Quais aspectos desse processo influenciam no seu show?
Essa vivencia pela Espanha influenciou todo o meu ser. Quando a gente vai morar em outro país, é como se fosse um renascimento. Você aprende a falar a língua, aprende a andar pelo lugar, aprende a se socializar, então tudo isso que você viveu vai fazer parte do seu ser também. Como diz o grande Joubert Moares: Você é o que você viveu! Eu tinha 14 anos quando fomos eu e minha família acompanhar o doutorado do meu pai. Moramos numa cidade do Sul da Espanha, Granada, terra de gente forte e de sangue cigana, além da influencia moura que permanece até os dias de hoje. É uma cidade puramente mística e encantadora por natureza. Não sei se é algo de vidas passadas, mas me identifiquei muito com a dança e a música cigana, e toda essa experiência ainda está pulsando dentro de mim.

JS - O que você quer atingir com o show “A Fuego Lento"?
Quero doar para as pessoas toda emoção e cuidado que tivemos em cada música, quero que elas sintam esse poder arrebatador que a música tem e que é tão direto. Sempre falo para os meninos que só vale a pena se for para se divertir, para ter prazer e é isso que quero passar para o público, se chegou tá valendo!

JS - E depois do show de estreia, quais os próximos passos?
Boa pergunta! (risos). Eu também não sei, mas espero montar um novo repertório. Agora em Junho quase todos os meninos vão viajar, inclusive eu que vou rever a querida Granada! Essa viagem também servirá como pesquisa e alimento para novos projetos.

JS - Quanto à carreira, qual o seu maior sonho?
Para mim dar esse primeiro passo já é um sonho, eu vou indo de acordo com o fluxo. Na verdade a gente lançou esse projeto sem muitas pretensões. O sonho é aqui e agora, o que é real, palpável e se vier mais possibilidades vamos seguindo e dançando conforme a música vai tocando.

O show acontece na Casa do Chico, localizada na Rua Jornalista Paulo Costa, 1224, na Rua da Pousada Kiriri. Sexta 23 de Junho às 22h. Contato para shows: (79) 96492047/ Ananda Barreto – (79) 99883198/ Mary Barreto

Por Rodrigo Alves
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