O fim da folia de momo e o tal início do ano
Após muita festa, bebida, comida, emoções etc., com a chegada da assim conhecida Quarta-Feira de Cinzas, constata-se: findou o carnaval. Se, segundo alguns, o ano só começa com o fim das festas carnavalescas – e já estamos no terceiro dos doze meses do ano – então já é tempo de retornar às tantas atividades que aguardam os brasileiros em suas obrigações, necessidades e problemas sociais.
A também conhecida “Folia de Rei Momo” do ano de 2014 mal acabou e já se fala, propagandeia e se programa para Copa do Mundo de Futebol deste ano, a qual será realizada no Brasil, em meio às tantas festas que já ocorrem no mês de junho – ao menos no nordeste.
Como dizem os mais velhos, “primeiro a obrigação, depois a diversão”. É importante que as festas não desviem o foco das reais e vitais necessidades deste povo que sofre com tantas indigências. É preciso atentar para os possíveis caminhos que visam a resolução de tanta falta de educação, o caos da saúde, a corrupção quase que generalizada, o medo provocado pela falta de segurança, de emprego e de perspectiva de tantos brasileiros.
Não é demasiado lembrar que Copa do Mundo não é panaceia, que em nenhum lugar do mundo resolve os problemas sociais. Os países onde não se tem problemas com megaeventos são países já desenvolvidos, onde os serviços ofertados à população funcionam e a estrutura para uma Copa do Mundo, por exemplo, só precisa de readequações e não de uma estruturação geral e imensamente cara, a qual é paga com investimentos públicos, estes que poderiam ser usados para resolver os problemas já existentes, antes que venham outros ainda maiores.
Cerradas as cortinas dos espetáculos carnavalescos e de tantas outras festividades é preciso que seja feito bem mais que preparar e ficar a espera de festas e de eventos, isso, pois para que não vigore a dinâmica política do “Pão e Circo”, faz-se necessário não se desvencilhar das tantas e urgentes demandas que precisam da atuação de toda a população, que é quem realmente sofre com a falta de educação, de segurança, de saúde, de trabalho digno, lazer e muito mais.
Cabe a reflexão: qual o real objetivo de tantas festas, bem como quais os palpáveis benefícios trazidos à população mais necessitada em detrimento do tantos problemas que esta sofre? Seriam momentos de ufanismo e entorpecimento para que o povo não tome partido nos interesses e decisões de seu país? Que ao final das festas e dos megaeventos não sejamos sacrificados como ocorria com o Rei Momo na Roma Antiga.
Por Fernando Gramoza


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