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Pensando o Brasil e algumas de suas contradições

Dois meses atrás, mais especificamente no dia 11/09/2011, fizeram 12 anos da queda das Torres Gêmeas nos EUA. Naquele dia – 11/09/2013 – observamos uma relação não tão corriqueira, ao ouvir/ver que o Brasil ocupa o 1º lugar no ranking das cirurgias plásticas. Acusado em sua época de possuir ideias perigosas, lembramos o pensador Antonio Gramsci, com o seu “Odeio os indiferentes, viver é tomar partido”.

Deste modo, em rápidas palavras como são as do citado italiano, somos partidários dos que pensam não servir para nada a filosofia – pelo menos no Brasil. Penso ser bastante interessante que a maioria das pessoas “achem isso”, pois seria muito triste se a filosofia servisse a algo ou para algo nesta Terra de Vera Cruz. Neste Brasil, onde, no ranking mundial, a Educação se afigura entre os últimos e no das cirurgias plásticas é o primeiro, superando todos os países, inclusive os EUA. Isto ocorre nesta mesma terra onde a distribuição de renda – com exceção do assistencialismo viciante – é uma das piores, inversamente proporcional à corrupção (quase que generalizada) em várias esferas da vida pública e privada, acentuando ainda mais as desigualdades sociais.

Um país onde ter uma religião parece ser a única forma de respeitar a vida em sociedade com seus deveres – não tenho registros de ateus que criticam a opção sexual, cor da pela ou discriminam alguém por sua condição social. Como diria a música “Brixton, Bronx ou Baixada” do grupo O Rappa, “Por que aprendemos tão cedo a rezar”?

Temos ainda que por estas bandas, da América do Sul, ainda é possível observar um “branqueamento” da população, onde alguns negros se dizem morenos, alisam e cortam seus cabelos bem rentes a cabeça, pois “alguém” disse que seu cabelo é ruim, é feio.

Em questão de política – eleições “batendo à porta” – é de se pensar o que mais alguns pobres almejam se não o lugar dos ricos políticos e/ou empresários para fazer igual ou o pior com o trabalhador.

Ainda bem que por aqui a filosofia, acredita alguns, para nada serve, ou seria a nada serve? Alguns de nós somos, a cada dia, mais impulsionado a refletir sobre algo que não serve para nada em uma terra de moralismos e valores fugazes que transfere alto valor para a ostentação e aparência e discrimina e recrimina, exclui e aponta aqueles que tentam não fazer parte desse sistema – tarefa bastante difícil. Nunca nos foi tão salutar e coerente fazer um exercício que não serve para nada. Assim seja, amém!

Por Fernando Gramoza
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